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UMA ANÁLISE DOS CONCEITOS DE "COISA" ABORDADOS POR FREUD, LACAN E HEIDEGGER NO FILME "A CABANA".

O texto “A coisa” objetiva traduzir as questões envoltas a objetivos que devem ser atingidos em forma de bens, visto que “a coisa”, no contexto filosófico, está correlacionada a todos os objetos ou bens que se deseja adquirir ou alcançar.

Porém, ao realizarmos uma contextualização sob os parâmetros da psicanálise observa-se que não existem questionamentos acerca de escolhas positivas ou negativas no que tange “a coisa”, mas sim em que local ela se enquadra na vida de cada indivíduo, e como tal bem é desejado pelo mesmo, o que de acordo com Freud chama-se “das ding” e de acordo com Heidegger, “a coisa” seria um acontecimento com riscos.

Observa-se, também, que na concepção do filósofo Lacan “a coisa” se contextualiza como algo do qual não se pode capturar, e com isso quando a mesma se interrelaciona com as questões éticas, acaba sendo dissolvida, pois é totalmente integrada e conexa as subjetividades do sujeito, que na busca pelo seu objeto de desejo acaba sendo reprimido pela lei e, consequentemente, deixa de manifestar suas vontades.

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A fim de contextualizar a situação e tornar tais idéias mais solidificadas, vale se utilizar de uma situação que a maiorias das pessoas, se já não passaram, virão a passar, que consiste na perda de um ente querido mediante uma morte trágica e/ou inesperada. Situação que requer que os indivíduos busquem uma nova realidade, ou um novo objeto, ou uma nova situação, ou um novo sujeito que supra todo aquele vazio e aquela dor oriundas da perda, a fim de transformar aquele universo de dor, sofrimento e vazio, semelhante a um buraco negro, em algo mais tolerável, trazendo possibilidades e dando fluidez áquela vida que no momento da perda deixou de ter sentido e trouxe ao indivíduo inúmeras questões, socialmente, sem respostas plausíveis, coerentes e sensatas. Questionamentos esses que ocorrem tanto internamente como externamente, e se traduzem no indivíduo e no contexto social em que ele vive, possibilitando, assim, que os sentimentos dele se misturem e se confundam, dificultando a distinção do que é interno ou externo a ele. Assim, “a coisa”, no momento em que não pode ser traduzida em realidade ou imaginação, faz com que o indivíduo utilize do princípio do prazer para suplantar seus vazios, podendo até mesmo ser ratificado por uma depressão, tendo em vista que o indivíduo possui carências biológicas e reproduções mentais que o motivam.

Destarte, o filme “A Cabana”, dirigido por Stuart Hazeldine, um ótimo meio de ilustrar o contexto supramencionado, pois ele traz a história de um homem que em sua infância foi espancado pelo pai, que era alcoólatra, e, também, via sua mãe apanhar mesmo. Ocorre, que em determinado momento de sua vida, ele pediu a Deus para que tais situações parassem de acontecer e diante de tal postura foi castigado arduamente pelo seu pai, vindo a colocar veneno em sua bebida e proporcionando sua morte. Acontece que ao se tornar pai e esposo, esse indivíduo que teve uma infância familiarmente difícil, apesar de amar sua esposa e seus três filhos demonstra ter deixado de crer em Deus, e ao viajar com os seus três filhos e sem a sua esposa, que é religiosissíma, tem sua vida, aparentemente, perfeita e suas crenças movimentadas.

É possível observar que após perder sua filha mais nova na referida viagem, Mack se transforma em um homem atormentado diante do fato do corpo da menina não ter sido encontrado mas terem sido encontradas evidências de que ela havia sido violentada e posteriormente assassinada em uma cabana nas montanhas que estavam. E a fim de encontrar a “coisa” que lhe faltava, o relacionamento com os outros dois filhos e a esposa começam a se dissolver, ocorre que nessa busca pela “coisa” que lhe faltava, ele recebe um chamado a retornar no local em que perdeu sua caçula e inicia uma viagem espiritual. E a busca, teoricamente, se finda após na experiência em que vive com “o pai”, “o filho” e o “espírito santo”, ele além de conseguir perdoar tudo o que seu pai lhe fez na infância, encontra o corpo de sua filha e se reconcilia com a figura divina, vindo a preencher o vazio acometido pela falta da “coisa, momento em que acorda em uma cama de hospital e inicia o processo de restauração do seu relacionamento familiar com os outros dois filhos e sua esposa.

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Deste modo, observamos que no desenrolar da história o psiquismo humano é evidenciado complexamente, sendo os conflitos internos e externos do indivíduo evidenciado pela sua busca pela estabilização dos mesmos, na qual são desenvolvidas neuroses que só são preenchidas e reduzida perante o desejo e a vontade de localizar a “coisa”.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

A CABANA. Direção: Stuart Hazeldine. Baseado no livro de William P. Young.

PEREZ, Daniel Omar. A ética da psicanálise [recurso eletrônico]/ Daniel Omar Perez.- Dados eletrônicos.- Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Secretaria de Ensino a Distância, 2017.

Imagem do filme "A CABANA". Disponível em: <http://palavrasproliferas.blogspot.com/2017/05/opiniao-sobre-o-filme-cabana.html>

Imagem do esquema "das ding" estabelecido por Freud. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-73952011000200007>. 

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